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7 em cada 10 brasileiros não sabem qual modalidade de crédito custa menos: o reflexo da Selic em 13,75% a.a. na decisão entre empréstimo e cartão

A taxa básica de juros do Banco Central permanece em seu patamar mais elevado desde 2022, comprimindo a margem de escolha de consumidores que precisam fazer uma compra de R$ 5 mil. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) de novembro de 2025, 71% dos brasileiros que buscam crédito desconhecem as diferenças reais de custo entre um empréstimo pessoal e o parcelamento no cartão de crédito. Essa desinformação custa caro: a diferença entre a opção mais barata e a mais cara pode chegar a R$ 2.500 em 24 meses de pagamento.

MV

Marcos VieiraConsultor de Crédito

Especialista em score de crédito, renegociação de dívidas e empréstimos consignados.

Publicado em · Atualizado em

O cenário atual de juros elevados exige clareza. Não é mais possível tomar essa decisão por impulso ou comodidade. Uma análise lado a lado das duas modalidades revela que uma é substantivamente mais vantajosa neste contexto, e a escolha errada pode consumir uma parcela significativa do orçamento mensal do brasileiro médio.

Empréstimo pessoal: a taxa média está em 27,9% a.a., segundo o Banco Central

O empréstimo pessoal segue como o produto de crédito com custo mais previsível no mercado. O Banco Central reportou em seu último boletim de taxa média que operações de empréstimo pessoal giram em torno de 27,9% a.a., com spreads praticados pelas instituições financeiras. Essa taxa é cobrada de forma linear durante todo o período de vigência do contrato.

Para uma operação de R$ 5 mil parcelada em 24 meses, o custo total com juros fica aproximadamente em R$ 1.800, resultando em prestações fixas de R$ 283 mensais. O valor permanece inalterado do primeiro até o último pagamento.

A vantagem do empréstimo pessoal reside em sua estrutura previsível:

  • Taxa de juros fixa durante todo o contrato
  • Valor da parcela nunca aumenta
  • Sem riscos de variação da taxa Selic durante o período
  • Liberação do dinheiro em conta corrente em até 2 dias úteis

Bancos digitais como Nubank e PagSeguro oferecem empréstimos pessoais com taxas ligeiramente inferiores, na faixa de 24% a 26% a.a., dependendo da análise de risco do cliente. Um cliente com score de crédito acima de 700 consegue acessar esses juros mais baixos. Nesse caso, para os mesmos R$ 5 mil em 24 meses, o custo cai para aproximadamente R$ 1.450.

Cartão de crédito parcelado: juros de até 48% a.a. em operações rotativas

Cartão de crédito parcelado: juros de até 48% a.a. em operações rotativas — empréstimo pessoal versus cartão crédito parcelado comparação preço

O parcelamento no cartão de crédito é a modalidade mais cara disponível ao consumidor brasileiro. As taxas variam conforme o banco e o tipo de parcelamento, mas as operações rotativas (aquelas sem a intermediação de um terceiro) chegam a 48% a.a., enquanto parcelamentos diretos com loja ou instituição financeira ficam em torno de 35% a.a.

A diferença entre essas modalidades é técnica, mas impactante. No parcelamento rotativo, você usa o limite disponível do cartão e o banco cobra juros sobre a dívida. No parcelamento direto, a operação é estruturada entre o lojista e uma financeira, reduzindo o risco para o banco emissor.

Para visualizar o custo real: R$ 5 mil parcelados em 24 vezes no cartão de crédito com taxa de 35% a.a. resulta em um custo total de juros de aproximadamente R$ 2.100. As parcelas variam ao longo do período, começando em R$ 275 e aumentando gradualmente para R$ 300 nos últimos meses, à medida que os juros recalculam sobre o saldo devedor.

Se o parcelamento for rotativo a 48% a.a., o custo sobe para R$ 2.800, e as prestações chegam a R$ 350 mensais nos últimos meses. Essa é a trajetória mais cara disponível.

A comparação direta: R$ 5 mil em 24 meses

Uma comparação clara mostra por que a decisão importa tanto em 2026. Imagine um consumidor que precisa de R$ 5 mil para reformar a cozinha de casa.

  • Empréstimo pessoal (taxa média 27,9% a.a.): Custo total R$ 1.800 | Parcela fixa R$ 283
  • Empréstimo em banco digital (taxa 25% a.a.): Custo total R$ 1.450 | Parcela fixa R$ 270
  • Parcelamento direto no cartão (35% a.a.): Custo total R$ 2.100 | Parcelas de R$ 275 a R$ 300
  • Parcelamento rotativo no cartão (48% a.a.): Custo total R$ 2.800 | Parcelas de R$ 310 a R$ 350

A diferença entre a opção mais barata (empréstimo digital) e a mais cara (cartão rotativo) é de R$ 1.350 em 24 meses. Para um consumidor com renda mensal de R$ 3 mil, essa diferença representa 45% do seu ganho mensal.

Por que os bancos cobram mais no cartão de crédito

Por que os bancos cobram mais no cartão de crédito — empréstimo pessoal versus cartão crédito parcelado comparação preço

O cartão de crédito carrega um risco superior aos olhos dos bancos. O empréstimo pessoal é uma operação única e documentada, com contrato assinado e promessa clara de pagamento. O cartão, por sua natureza, permite revolving (refinanciamento automático da dívida), aberturas de novos gastos e maior volatilidade no fluxo de caixa do consumidor.

Segundo relatório de risco de crédito da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a taxa de inadimplência em operações de cartão de crédito em 2025 chegou a 8,7%, enquanto em empréstimos pessoais o índice ficou em 5,2%. Essa diferença de 3,5 pontos percentuais reflete diretamente na taxa cobrada: o banco repassa ao consumidor a probabilidade maior de não receber.

Além disso, o empréstimo pessoal tem prazo final definido. O cartão, não. Um banco consegue calcular a rentabilidade esperada de um empréstimo de 24 meses com precisão. No cartão, sempre existe a possibilidade de o cliente parcelar indefinidamente, refinanciando a dívida a cada mês.

Quando o cartão de crédito é menos pior

Há situações em que o parcelamento no cartão se torna a opção menos ruim, apesar de mais cara. A principal delas ocorre quando há desconto ou cashback envolvido.

Um lojista que oferece 15% de desconto para pagamento no cartão reduz a base de cálculo. Se você compra R$ 5 mil e recebe 15% de desconto, o valor real é R$ 4.250. Mesmo pagando juros mais altos, a economia no preço pode compensar. Nesse cenário, o custo final fica próximo ao de um empréstimo pessoal, com o bônus de poder devolver a mercadoria caso arrependido (o que não é possível com empréstimo).

Outra situação é quando o lojista oferece parcelamento sem juros no cartão. Essa operação, cada vez mais rara em ambiente de juros altos, ainda existe em períodos sazonais ou para clientes com bom histórico. Um parcelamento em 12 vezes sem juros no cartão custa zero de juro, tornando-se obviamente superior a qualquer empréstimo.

Mas atenção: operações sem juros no cartão geralmente só funcionam se o cliente pagar a fatura integral ao longo dos meses. Se houver atraso ou se sobrar saldo devedor, os juros rotativos retroagem e incidirão sobre toda a operação.

O impacto do aumento da Selic nas perspectivas para 2026

O impacto do aumento da Selic nas perspectivas para 2026 — empréstimo pessoal versus cartão crédito parcelado comparação preço

A taxa Selic em 13,75% a.a. é o piso para toda operação de crédito no Brasil. Quanto mais alta a Selic, maior a rentabilidade que um banco precisa obter de seus clientes para compensar o custo de captar recursos (isto é, receber depósitos de clientes). Essa é uma relação direta.

O Banco Central pode manter a Selic neste nível ou aumentá-la ainda mais até final de 2025 e início de 2026, dependendo da inflação. Projeções de economistas ouvidas pelo Banco Central em agosto de 2025 apontavam Selic em 14,5% ao fim do ano fiscal. Se essa projeção se concretizar, as taxas de empréstimo pessoal subirão 1% a 1,5%, levando a média para 29% a 30% a.a.

O cartão de crédito subirá proporcionalmente menos em percentual absoluto, mas em termos de custo real será ainda mais elevado. Uma alta de 2% na taxa de um parcelamento que já é 48% a.a. resulta em 50% a.a., um patamar praticamente insustentável para a maioria dos consumidores.

O papel do score de crédito na escolha

Seu score de crédito (ou score de risco) determina a taxa que você consegue acessar em qualquer operação. Consumidores com score abaixo de 600 enfrentam rejeiçõesfrequentes para empréstimos pessoais, sendo forçados a recorrer ao cartão de crédito mesmo que a taxa seja mais alta.

Quem tem score acima de 700 consegue descontos significativos. Um cliente com score 750+ consegue empréstimo pessoal em bancos digitais com taxa de 22% a.a., reduzindo o custo de R$ 5 mil para aproximadamente R$ 1.200 em 24 meses. A diferença para quem tem score 600 é abismal.

Bancos como Itaú e Caixa aplicam taxas progressivas conforme o score:

  • Score abaixo de 600: taxa acima de 35% a.a. (quando aprovam)
  • Score entre 600 e 700: taxa de 28% a 32% a.a.
  • Score acima de 700: taxa de 22% a 26% a.a.

Isso significa que a resposta “qual é mais barato” depende também da qualidade de crédito do consumidor. Para alguém com score baixo, o cartão pode ser a única opção acessível, mesmo que caro.

Erros comuns que consumidores cometem ao escolher

O primeiro erro é parcelar no cartão “sem juros” presumindo que conseguirá pagar. Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em 2025 mostrou que 34% dos consumidores que iniciam parcelamento sem juros no cartão acabam deixando saldo devedor após o período de carência. Quando os juros rotativos incidem retroativamente, a conta fica impagável.

O segundo erro é assumir que o empréstimo pessoal é sempre mais barato, desconsiderando ofertas específicas do cartão. Um desconto de 20% na loja compensa juros mais altos em qualquer cenário.

O terceiro erro, e o mais grave, é não fazer a comparação. Estudo da FGV de 2024 apontou que apenas 15% dos consumidores que tomam crédito comparam taxas entre instituições. A maioria escolhe a primeira opção disponível ou segue por inércia (usa o cartão porque já tem).

O primeiro passo concreto que você deve tomar agora

Abra o site da sua instituição financeira (ou baixe o app) e solicite uma simulação de empréstimo pessoal para R$ 5 mil em 24 meses. Anote a taxa oferecida e o valor total de juros. Em seguida, entre em contato com a central de atendimento do seu cartão de crédito e pergunte qual seria a taxa de juros para parcelar a mesma compra e em quantas vezes. Compare os dois números lado a lado. Esse exercício leva 10 minutos e determinará qual opção é concretamente mais barata para sua situação. Faça isso ainda hoje, antes de qualquer outra coisa, porque a próxima vez que você precisar de R$ 5 mil, a Selic pode ter subido mais 0,5 ponto percentual.

Perguntas Frequentes sobre Empréstimo Pessoal vs. Cartão de Crédito

Qual é a diferença entre a taxa de juros de um empréstimo pessoal e o parcelamento no cartão de crédito?

A taxa de empréstimo pessoal fica em média 27,9% a.a., enquanto o parcelamento no cartão varia de 35% a 48% a.a., dependendo se é direto (com lojista) ou rotativo (com banco). Essa diferença de 7 a 20 pontos percentuais resulta em um custo 30% a 50% maior para o mesmo valor e prazo no cartão.

Quando é mais vantajoso usar empréstimo pessoal ao invés de parcelar no cartão de crédito?

O empréstimo pessoal é mais vantajoso quando você não tem desconto ou promoção na loja, quando precisa de um prazo longo (acima de 12 meses) e quando tem score de crédito acima de 650. Se o lojista oferece desconto acima de 10% ou parcelamento sem juros comprovado, o cartão pode ser viável.

Como o aumento da taxa de juros do Banco Central (Selic) afeta o custo do empréstimo pessoal versus cartão?

Ambos aumentam, mas proporcionalmente o cartão sofre menos porque já é muito caro. Se a Selic sobe 1%, o empréstimo pessoal sobe aproximadamente 1,2%, enquanto o cartão sobe 0,8% em termos absolutos. Mas como o cartão já é mais alto, a diferença entre eles aumenta.

Qual é o prazo máximo recomendado para parcelar uma compra no cartão de crédito?

Não recomenda-se parcelar no cartão por mais de 12 meses. Acima de 12 vezes, os juros acumulados tornam a operação quase equivalente ao custo de um empréstimo pessoal, perdendo a única vantagem do cartão que seria devolução de mercadoria.

O parcelamento sem juros no cartão vale a pena em 2026?

Sim, mas com cuidado extremo. Parcelamento sem juros no cartão é sempre vantajoso numericamente, mas apenas se você conseguir pagar a fatura integral todo mês. Se deixar saldo devedor, os juros rotativos retroagem para toda operação, e o custo se torna pior que empréstimo pessoal.

Existe alguma situação em que o cartão de crédito é mais barato que empréstimo pessoal?

Apenas em operações específicas: parcelamento sem juros comprovado, desconto acima de 15% no valor da compra, ou quando você tem acesso a limite de taxa especial por ser cliente premium. Fora essas exceções, o empréstimo pessoal é sempre mais barato numericamente.

Especialista em Financas e Investimentos
Especialista em financas pessoais, credito e investimentos com mais de 8 anos de experiencia analisando o mercado financeiro brasileiro. Cobre temas como credito pessoal, Tesouro Direto, renda fixa, beneficios governamentais (FGTS, BPC, INSS) e educacao financeira para o publico geral. Acompanha de perto as politicas do Banco Central, reformas previdenciarias e o avanço das fintechs no Brasil.

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